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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Wytches

Fotos da HQ.


Roteiro: Scott Snyder.
Tradução: Érico Assis.
Editora: Darkside Books.
Ano: 2017.

" Quando uma família se muda para a remota cidade de Litchfield, em New Hampshire, para escapar de um trauma assombroso, está confiante em recomeçar a vida. Mas algo maligno e impiedoso está esperando por eles na floresta vizinha. Observando das árvores. Algo secular... e faminto."
   Resumo na HQ.



O que eu achei da HQ:

   Eu gostei bastante, parece que estamos assistindo um filme de terror, daqueles que são bons. Porque ultimamente os filmes de terror são só mais do mesmo. No caso da HQ as bruxas são bem diferentes do que estamos acostumados a ver pela literatura à fora. Elas não são bonitas, muito menos humanas, atacam sem dó quando alguém é jurado à elas. Não perdoam e nem voltam atrás. E acreditem, a maldade humana está bem entranhada nessa história. Um bom quadrinho, com drama familiar e muitas pitadas de sobrenatural. 

Fragmentos do Horror

Fotos da HQ.


Autor: Junji Ito.
Tradução: Akemi Ono.
Editora: Darkside Books.
Ano: 2017.

" Um rapaz literalmente perde a cabeça para uma taróloga. Uma antiga mansão de madeira que excita um de seus habitantes. Uma aula de dissecação com uma paciente bastante incomum. Uma visita de um estranho pássaro negro transforma a vida de um homem acidentado nas montanhas. Passando do aterrador ao cômico, do erótico ao escatológico, essas histórias surreais mostram o esperado retorno de Junji Ito ao mundo do horror."
   Resumo na HQ.



O que achei da HQ:

   Eu confesso que gostei bastante de todas as histórias. Achei algumas bem malucas e outras com um desfecho sensacional. Acredito que o resumo no livro é bem fiel em descrever alguns contos e acho que todos deveriam ler, porque é maravilhoso. Vocês vão gostar do que o Junji Ito tem para nós. 

Neuromancer

Fotos do Livro.


Autor: William Gibson.
Tradução: Fábio Fernandes.
Editora: Aleph.
Ano: 2016.

" Considerada a obra precursora do movimento cyberpunk e um clássico da ficção científica moderna, Neuromancer conta a história de Case, um cowboy do ciberespaço e hacker da matrix. Como punição por tentar enganar os patrões, seu sistema nervoso foi contaminado por uma toxina que o impede de entrar no mundo virtual. Agora, ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, cometendo pequenos crimes para sobreviver, e acaba se envolvendo em uma jornada que mudará para sempre o mundo e a percepção da realidade. 
   Evoluindo de Blade Runner e antecipando Matrix, Neuromancer é o romance de estreia de William Gibson. Esta obra distópica, publicada em 1984, antevê , de modo muito preciso, vários aspectos fundamentais da sociedade atual e de sua relação com a tecnologia. Foi o primeiro livro a ganhar a chamada 'tríplice coroa da ficção científica': os prestigiados prêmios Hugo, Nebula e Philip K. Dick."
   Resumo no Livro.



O que achei do Livro:

   Ler Neuromancer não foi fácil, foi denso e desconcertante em vários aspectos. É um mundo novo, uma realidade da qual não estamos acostumados a viver. Mas que eu gostei muito de ter passado por essa experiência. Estou lendo o segundo livro e apesar de achá-lo diferente do primeiro, confesso que estou curiosa pra saber o que está acontecendo na Matrix. 

   Uma das coisas que me deu uma estranheza no início foi porque eu achava que o filme e o livro seriam duas coisas iguais. Pensava que seria meio obscuro e surreal como a trilogia "Matrix", no caso falo dos filmes. E não foi nada igual, tudo é diferente, há semelhanças, mas são poucas. O universo de "Neuromancer" é complexo e meio assustador em algumas coisas. E ao contrário do filme, a atmosfera no livro é bem colorida, com fliperamas e tudo. Uma coisa meio anos 80. Ou seja, nesse universo há de tudo: pessoas modificadas, realidades alternativas, romance, intrigas, drama, mortes, inteligência artificial, e muitas outras coisas que parecerão absurdas pra você no início.

   Gostei muito do livro, achei todos os personagens bem descritos e de certa forma "reais". William Gibson consegue te deixar a vontade naquele universo bem maluco. A forma dele escrever é bem diferente, é cheia de sensações. Recomendo.

sábado, 29 de julho de 2017

As coisas que perdemos no fogo

Foto do Livro.


Autora: Mariana Enriquez.
Tradução: José Geraldo Couto.
Editora: Intrínseca.
Ano: 2017.

" Em um primeiro olhar, as histórias de Mariana Enriquez parecem absurdas, ambientadas em um mundo surreal. Mas não é preciso avançar muito na leitura para que esse mundo se torne quase palpável. O que as histórias revelam é a transformação do cotidiano em pesadelo. Personagens e lugares aparentemente corriqueiros ocultam experiências insólitas: mulheres violentadas que ateiam fogo em si mesmas, jovens entendiadas ou dominadas pela raiva e pela angústia, uma criança assassina, pactos sombrios, casas abandonadas, magia negra, superstições, sumiços, paixões, decepções. Em um universo de pessoas comuns e outras socialmente invisíveis, a existência de todos sucumbe ao peso da culpa, da compaixão, da crueldade e da simples convivência. 
   Uma das escritoras mais corajosas e surpreendentes da atualidade, Mariana Enriquez dá voz à geração nascida durante a ditadura militar na Argentina. Os contos reunidos neste livro se aventuram na fronteira entre o inacreditável e o verossímil para revelar o horror oculto no dia a dia. Uma obra que causa estranheza, mas onde também se reconhece algo familiar; textos primorosos que subvertem o mundo que estamos acostumados a ver."
   Resumo no Livro.

O que achei do Livro:

   Amei a capa desse livro e o que eu fiz? Comprei, algo nele me chamava a atenção, e depois que eu o li, posso afirmar com certeza de que minha intuição sobre ele estava certa. Chega de contos previsíveis. O sobrenatural está tão intrincado em cada um dos contos, que a autora não precisa nos explicar porque algo está acontecendo, entendemos, mesmo que ela termine a narrativa sem nos dar respostas para tudo. E isso é incrível. Chega de histórias que trazem explicações sobre tudo, até porque não tem como uma pessoa saber tudo sobre tudo. Algo acontece naqueles contos, algo que a gente não prevê e muita vezes não entendem, mas que nos toca de alguma forma. O sobrenatural na trama parece algo tão rotineiro que a gente só pensa: "Sim, eu entendo. Sei como é." 

   Mariana Enriquez nos brinda com grandes histórias, com personagens únicos e humanos, com defeitos e qualidades. Há críticas tão sutis que quase não notamos e há aquelas jogadas na nossa cara como uma forma de protesto. E acima de tudo, há muitas protagonistas mulheres nos contos, diferentes entre si, mas que têm um vínculo. 

   Um dos contos que eu mais gostei foi "O menino sujo", que nos mostra não só como a maldade humana está por todo o lugar, como também acontece a violência escancarada contra as pessoas marginalizadas. Sem tirar o teor macabro presente nele. 

  No conto: " A Casa de Adele", filmes de terror, membros amputados e uma casa considerada amaldiçoada envolvem a vida de três crianças-adolescentes, não sei como classificá-los. Conto sensacional.

   Agora tem um conto que na minha opinião, me lembrou muito H.P. Lovecraft, chamado: "Sob a água negra", pessoas pobres e deformadas que vivem numa "vila" estranha, policiais que se corrompem, um padre enlouquecido e algo que dorme e vive nas águas sujas de um rio. (Sério, depois me digam se não lembram os contos dele.) Mas é claro que escrito de uma forma magistral pela Mariana. 

   O que eu posso dizer desse livro é que amei. Amei todos os contos; e ele tem um lugar especial na minha estante. Recomendo muito. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Distância de Resgate

Foto do Livro.


Autora: Samanta Schweblin.
Tradução: Ivone Benedetti.
Editora: Record.
Ano: 2016.

" 'Fico pensando se poderia acontecer comigo o que aconteceu com Carla. Sempre penso no pior. Agora mesmo estou calculando quanto demoraria para sair correndo do carro e chegar até Nina, se ela corresse de repente para a piscina e se atirasse. A isso dou o nome de 'distância de resgate', que é como chamo a distância variável que me separa de minha filha, e passo a metade do dia fazendo esse cálculo, embora sempre arrisque mais do que deveria.'
   Samanta Schweblin escreveu uma narrativa extraordinária e hipnótica, urgente e duradoura, que consegue nos manter inevitavelmente presos e mergulhados num universo ficcional perturbador."
   Resumo no Livro.

O que eu achei do Livro:

   Sabe aqueles livros que só de ver a capa já queremos ler? Esse foi um dos casos, amei a capa chamativa com as cores: vermelho e azul. E por que tinha vermes desenhados na capa? Havia uma relação com a história? Essas perguntas ficaram martelando na minha cabeça até que eu finalmente cedi e comprei o livro. E gente, me surpreendi e muito. Não só amei a história e a forma como a autora decidiu nos relatar os fatos mantendo o suspense e o mistério até o final, como também esse livro entrou para um dos meus favoritos do ano. Amei muito e sofri junto com a personagem principal também. 

   Uma das coisas que podem fazer as pessoas desistirem da leitura é que a história começa de uma maneira bem esquisita e sem fazer sentido nenhum. Isso porque a narrativa mistura passado/presente/futuro de uma forma que eu nunca vi igual. Ficamos nos perguntando: Ela está deitada, sentindo o tecido do lençol sem conseguir se levantar, conversando com um menino sobre "vermes" ou está ali vendo a vizinha tomar sol e depois chorar compulsivamente no carro dela? Onde essa mulher realmente está? Onde é a ação? Isso é o mistério da narrativa. Não sabemos qual das verdadeiras situações é o presente e está acontecendo e o que já ocorreu e ela só está lembrando. E o mais importante: quem é o menino com o qual ela está conversando? Por que a mãe do menino sente repulsa pelo filho? Nossa narradora quer saber a história por trás dessa rejeição a criança, assim como sabe que tem que manter a filha Nina sempre por perto. Para o caso de precisar salvá-la de algo. Distância de Resgate é o nome dessa "preparação para o socorro imediato"; é uma forma de criação que a família da protagonista passa de geração para geração. Ela sente que algo ruim vai acontecer, mas não sabe como. E não entende porque acha que essa "sensação" ruim que sente está ligada a vizinha Carla e seu filho estranho David. Não entende porque seu corpo está preparado para salvar sua filha Nina. Mas até o final da história ela entenderá e a gente também. Então se preparem para um final destruidor, mesmo. 

   Distância de Resgate é uma história maravilhosa, curtinha, com uma boa fonte para a leitura. Não dá pra eu falar muito sobre a história, porque cada pista é única. Mas acredito que vocês vão gostar tanto quanto eu. Recomendo muito. 


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Os melhores contos fantásticos

Foto do Livro.


Organizador: Flávio Moreira da Costa.
Colaboração: Celina Portocarrero.
Editora: Nova Fronteira.
Ano: 2006.


O que eu achei do livro:

   Bom, já vou começar contando que gostei muito mais desses contos escolhidos pelo Flávio Moreira da Costa, do que aqueles outros que eu li no livro "Contos de Horror do Século XIX". E valendo ressaltar que essa é a minha opinião, outras pessoas podem não concordar comigo sobre isso. Gostei de todos os contos? Não, mas gostei bem mais da metade. Foram poucos os que não me agradaram, ou me deixaram com aquela sensação de "ok". É um livro que eu recomendo pra todo mundo que gosta de boas histórias e que gosta de ler aos pouquinhos. Isso para economizar leitura boa.   

   Os contos são divididos em quatro partes: 01. Da Antiguidade ao Puritanismo; 02. O apogeu do século XIX; 03.Atravessando o século XX; 04. O fantástico em bom português. Sem contar a introdução e o bônus. Vou citar abaixo alguns contos que eu mais gostei.

   Já começamos o livro com a história bíblica do Apocalipse, então temos anjos, o cordeiro, aniquilações, as bestas na terra, e outras coisas bem sinistras. 

   Um dos contos que eu mais gostei nessa primeira parte foi: "O jovem Goodman Brown" de Nathaniel Hawthorne. É um conto em que a religião está bem presente, principalmente na vida do jovem rapaz Goodman Brown e sua esposa. Tudo estava caminhando como Deus manda na vida desse jovem casal, até que algo estranho envolvendo pessoas "santas" é revelado para ele numa noite fatídica. Aquelas pessoas tementes a Deus seriam na verdade servos do Demônio? Ou o que ele estava vendo era fruto da sua imaginação?

    Um dos melhores contos que eu já li na vida está nesse livro também. "O Homem da Areia" de E.T.A. Hoffmann. Essa foi a terceira vez que releio essa história, e ainda continuo achando-a fantástica. Primeiro que começa com um horror vivido na infância e que volta a assombrar a fase adulta, e segundo porque eu acho uma história muito bem escrita.

   Um conto que eu não dava nada, mas que gostei bastante foi: "A Vênus de Ille" de Prosper Mérimée. As coisas começam a dar terrivelmente errado quando um "ídolo" é encontrado numa escavação. Quem teria esculpido aquela Vênus, linda, mas com uma feição cruel? E por que a população acha que ela traz mau agouro?

   O achado dessa vez foi: "O ladrão de Cadáveres" de Robert Louis Stevenson. Não pela história em si, porque eu não achei nada demais nela. Mas por uma frase sensacional que está incluída  num encarte de uma série que eu gosto. E que é sensacional.

   "A Cafeteira" de Théophile Gautier é bem curiosa. E isso porque a assombração dessa vez saí diretamente dos quadros de um dos quartos da casa. E "A Morta Apaixonada" que conta a história de um sacerdote que caí de amores tresloucados por uma cortesã, e que começa a sentir-se dividido em dois homens diferentes. 

   O mais original na minha opinião é: "Deuses no Exílio" de Heinrich Heine. Esse conto fala sobre o que aconteceu com os deuses gregos quando o Cristianismo abrangeu mais da metade da população com o seu Deus único, deixando todos os outros deuses na escuridão do esquecimento. O que eles fariam agora sem a adoração dos povos? Sem oferendas e templos. O que seria dessas divindades? 
   Sério, um dos melhores contos do livro.

   No conto: "Um sonho" de Ivan Turgueniev, sonho e realidade se mesclam quando um rapaz descobre a verdadeira identidade do seu pai e passa a persegui-lo.

   "Final para um conto fantástico" de I. A. Ireland é bem curtinho, mas realmente parece um final perfeito para uma história que você mesmo pode criar.

   Um conto que me lembrou muito o Poe, foi: "Vera" de Villiers de L´Isle Adam. É uma tragédia de amor, só que escrita de um jeito que parece poesia. Cada frase parece perfeita, como se o autor tivesse pensado muito nela antes de escrever.

   Agora um conto simples, mas sinistro foi: "Sredni Vashtar" de Saki. Quando uma criança solitária e triste resolve tornar um simples animalzinho em um "Deus", coisas estranhas podem acontecer.
  
   "A Insolação" de Horacio Quiroga, vai nos relatar como a morte aparece para os cachorros. Como eles recebem o aviso de que o dono está em perigo. Sensacional.

   "Carta a uma Senhorita em Paris" de Julio Cortázar, vai nos relatar o que sofre um homem que vomita "coelhinhos". Isso mesmo, você não leu errado. Ele vomita coelhinhos, e o pior é quando em pouco tempo ele vomita mais de dez desses bichinhos. 

   Também há casos de homens que nascem com o espírito de mulheres e mulheres que nascem com o espírito de homens no conto: "As academias de Sião" de Machado de Assis. 

   No conto: "Demônios" de Aluísio Azevedo, algo estranho acontece com o mundo quando um jovem rapaz dorme. Pessoas morrem, a escuridão torna-se infinita e o tempo parece preso no tempo.

   É claro que há muitos contos de autores consagrados presentes nessa coletânea. Mas como a maioria eu já havia lido, resolvi só falar dos pouco conhecidos por esses lados. 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Assombração da Casa da Colina

Foto do Livro.


Autora: Shirley Jackson.
Tradução: Edna Jansen de Mello.
Editora: Francisco Alves.
Ano: 1959.

" 'Nenhum ser vivo consegue viver durante muito tempo sob condições de realidade absoluta, sem perder a sanidade' -são as primeiras palavras de A Assombração da Casa da Colina, cujo parágrafo inicial é reconhecidamente um dos mais belos começos de romance da moderna ficção norte-americana. Mas não só o começo; todo o livro é marcado por essa extraordinária qualidade literária que Shirley Jackson soube imprimir à sua obra. Foi este romance, e os contos magistrais de A Loteria (o conto-título é uma das mais terríveis histórias jamais escritas), que projetaram o nome da escritora, colocando-a na galeria dos mestres inesquecíveis do gênero, dentro da tradição de Hawthorne, Poe, Bierce e Lovecraft.
   A Assombração da Casa da Colina foge aos padrões das histórias convencionais de fantasmas e velhas mansões. O medo é instilado em gotas, o horror é construído lentamente, numa atmosfera de sobrenatural que Shirley Jackson vai tomando cada vez mais densa, até o desfecho.
   A própria Casa da Colina é um mistério. As pessoas que a alugavam, atraídas por sua imponência e a beleza do lugar, abandonavam-na poucos dias depois, recusando-se a dar as razões da fuga precipitada. Para o povo da região, era simplesmente uma casa assombrada, com histórias apavorantes. Fora construída há oitenta anos e sentia-se, a Casa da Colina, sólida o bastante para durar mais oitenta, longe da realidade absoluta.
   Até o dia em que quatro pessoas se alojam na velha mansão, dispostas a enfrentar todos os riscos a fim de descobrir a verdade. Se existe assombração, que ela se manifeste. A resposta não tarda."
   Resumo no Livro.

O que eu achei do livro:

   Quando achei esse livro na Biblioteca, já peguei emprestado na hora. Nunca tinha lido nada dessa autora, mas já havia escutado comentários bem elogiosos sobre a obra dela. A editora Suma de Letras vai lançar um livro da Shirley ainda esse ano e eu não vejo a hora de lê-lo. É claro que há coisas que eu amei e coisas que eu achei bem entediante nesse livro, vou relatá-las para vocês.

   A maneira como a Shirley escrevia é maravilhosa, a leitura flui muito fácil, as descrições das paisagens são bem feitas e os personagens únicos. E uma coisa que eu não esperava, mas que me foi agradável, foi a forma descontraída com  que a autora criou os diálogos entre os personagens. Chega a ser hilário no começo, torna-se um pouco entendiante durante o correr da narrativa, porque alguns diálogos quebram o foco sobrenatural que é o tema central da história. 

   Nessa Casa da Colina, abandonada há oitenta anos por motivos que ninguém quer falar, vai acontecer uma "pesquisa" sobre a aura sobrenatural que ronda a mansão. Quatro pessoas vão permanecer por três meses nesse lugar e fazer anotações sobre tudo o que ver, sentir ou vier a fazer sob a influência maligna do lugar. Eles são: o Dr. Montague, Eleanor Vance, Theodora e Luke Sanderson. Quatro pessoas muito diferentes, mas que de início formam um bom grupo. Tirando o casal de caseiros, que são muito mau humorados e que nunca permanecem na casa depois que escurece. De todas essas pessoas, a mais sensível e posso dizer, a personagem principal dessa história é a Eleanor Vance, uma mulher de seus 30 e poucos anos, desesperada para achar um lugar "seu" no mundo, já que a irmã e o cunhado fazem questão de desmerecê-la e de certa forma humilhá-la. 

    Eleanor é como se fosse um canal da casa para o grupo de pessoas. Desde o começo percebemos que o que existe na casa quer ela. É como se precisasse dela de alguma forma. Por sua inocência, por sua bondade ou por qualquer outra coisa. É claro que ela também é aquela personagem que de tão necessitada de amor e carinho acada se apegando muito e fortemente a outras pessoas. E quando esse carinho não é correspondido, acaba se isolando ainda mais do mundo e se prendendo ao que quer que viva na casa. 

   Eu amei o começo e o final do livro, o jeito como o sobrenatural vai acontecendo aos poucos e a forma como ele corrompe a mente confusa da Eleanor é sensacional. Mas eu não gostei do meio da história, tem muitos diálogos cheio de humor sarcástico desnecessários, e não há uma explicação sobre o porque da Casa ser tão hostil. Isso me irritou um pouco, mas de todo, eu gostei sim muito de ter lido. O final valeu cada momento de cansaço que a leitura me causou.

   Há um filme que eu assisti há alguns anos, chamado "The Haunting", que de certa forma é uma adaptação desse livro. É claro que tudo fica mais visual e há algumas cenas de horror que eu achei bem cômico. Ainda prefiro o livro. 


sábado, 24 de junho de 2017

O Terror

Foto do Livro.


Autor: Arthur Machen.
Tradução e posfácio: José Antonio Arantes.
Editora: Iluminuras.
Ano: 2002.

" No ensaio O Horror sobrenatural na literatura, H.P. Lovecraft dedica ao escritor galês Arthur Machen várias páginas de devotado fervor, assinalando que sua obra abriu novos caminhos para o gênero fantástico: 'Dos criadores vivos do terror cósmico elevado ao seu mais alto expoente artístico, dificilmente poderá citar-se alguém que se iguale ao versátil Machen, autor de cerca de uma dúzia de composições longas e curtas em que os elementos de horror oculto e medo avassalador atingem uma substância e um realismo incomparáveis. (...) Os textos que produziu nos anos 90 e princípios dos 1900 não têm igual em seu gênero e marcam uma nova época da história dessa forma literária.
   Com uma impressionável herança ligada a vívidas lembranças juvenis de colinas agrestes, florestas seculares e míticas ruínas de Gwent, Machen desenvolveu uma vida criativa de rara beleza, intensidade e inspiração histórica. Absorveu o mistério medieval de bosques sombrios e velhos costumes, e é em tudo um campeão da Idade Média - na fé católica inclusive. Da mesma forma cedeu ao encanto da vida britano-romana que em certa época floresceu na sua região nativa; e vê uma estranha magia nas vilas fortificadas, nos pisos de mosaico, fragmentos de estátuas e outras coisas que falam do tempo em que o classicismo reinava e o latim era a língua do país.
   Mas o encanto de seus textos está na narração. É impossível descrever o crescente suspense e o supremo horror que estão em cada parágrafo, sem seguir a sequência exata em que Machen vai, aos poucos, desvendando os seus indícios e revelações. (...) Com suas palavras e ambientações, Machen constrói atmosferas de eletrizante tensão.' "
  Resumo no Livro.

O que eu achei do livro:

   Essa foi minha primeira experiência lendo uma obra do Machen, principalmente porque aqui no Brasil é difícil achar qualquer livro desse autor. E agora que li esse livro que contém uma "novela" que dá nome ao título e um apanhado de textos que compõem a segunda parte: "Ornamentos em Jade" posso dizer que entendo o porquê do H.P. Lovecraft ter gostado tanto da escrita do Machen. Esse autor conseguiu me envolver nas histórias de uma forma maravilhosa,  principalmente pelo jeito "meio celta" de descrever as paisagens e de colocar mistérios horríveis em pequenos lugarejos. Não parece ficção, parece um relato que aconteceria com qualquer pessoa que vivesse ali e soubesse de rituais mais antigos que a própria terra. 

    Mas a melhor parte do livro e a que eu mais gostei foi da primeira parte, chamada "O Terror". Temos um narrador que está nos contando sobre fatos estranhos que estão acontecendo em várias partes do mundo, e isso no período da guerra, onde as pessoas achavam que qualquer coisa ruim ou plano diabólico que estivesse em ação seria obra dos alemães para ocupar a terra e vencer a resistência. Muitas mortes bizarras ocorrem com várias pessoas num lugarejo, sendo que boa parte dessa morte deixava as pessoas irreconhecíveis, pois esmagavam as cabeças; e se elas despencavam de um precipício a população achava que elas tinham cometido suicídio. Por que elas fariam isso? Ninguém sabe, mas é melhor do que se for algo que ninguém pode ver, mas que causa destruição por onde passar. E isso é apenas o começo: o medo, a loucura, os boatos e as mortes inexplicáveis começam a levar a população local a histeria.

   Gente, é muito bom esse livro, recomendo muito. Vou procurar agora pra comprar "O Grande Deus Pã". 

   P.S.: Uma das coisas que eu mais gostei desse livro é que no posfácio há um resumão sobre o autor e sua obra. Leiam.  


quarta-feira, 14 de junho de 2017

O Médico e o Monstro: O estranho caso do dr. Jekyll e sr. Hyde + Projeto Literário: Penny Dreadful - Parte V

Foto do Livro.


Autor: Robert Louis Stevenson.
Tradução: Jorio Dauster.
Prefácio: Luiz Alfredo Garcia-Roza.
Introdução e Notas: Robert Mighall.
Editora: Companhia das Letras.
Ano: 2015.

" Poucos clássicos da literatura são tão conhecidos e cultuados como O médico e o monstro. Escrito por Robert Louis Stevenson em 1885, o romance foi um sucesso imediato de público e inseriu o autor, à época com 35 anos, entre os grandes nomes da literatura universal.
   Ao narrar as experiências de um médico que, numa 'noite maldita', toma uma poção fumegante e de coloração avermelhada e descobre 'a dualidade absoluta e primordial do homem', o autor escocês criou uma história de suspense e horror, cujo perigo iminente está no lado obscuro da alma.
   Além de uma introdução de Robert Mighall, ph. D. em ficção gótica e ciência médico-legal vitoriana pela Universidade de Wales, esta edição conta com um prefácio do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, que define a obra como 'um dos mais perfeitos e provavelmente o mais famoso romance de mistério da literatura de língua inglesa'. 
   Resumo no Livro.

O que eu achei do livro:

   Não é a primeira vez que tento ler esse livro, já tentei duas vezes e desisti. Algo nessa história nunca me desceu, mas não sei o que é. Talvez seja porque eu não consegui me importar com nenhum personagem. E mesmo eu tendo amado essa edição da Penguin, e conseguido ler a história toda, continuo não me importando com os personagens. Gosto de outras histórias desse autor, essa história eu não amei. E confesso que até hoje eu não consegui assistir a um filme sobre essa obra e gostar. 

   Primeiro: todos os extras presentes nessa edição são maravilhosos, e foi isso que me ajudou a prosseguir com a leitura. Já que eu resolvi tentar ler essa obra novamente por causa do Projeto Penny Dreadful, achei melhor comprar uma edição que tivesse notas de apoio. E funcionou. Dessa vez a história fluiu melhor pra mim. 

    Acompanhamos nessa história mais o advogado Utterson, do que os verdadeiros protagonistas. E isso faz com que toda essa narrativa estranha envolvendo dois homens diferentes seja mais plausível.  Torna-se verossímil, já que acompanhamos uma pessoa que busca a verdade sobre um caso impossível de ser resolvido se for visto de um ângulo só. O dr. Jekyll tem toda uma reputação inabalável, amigos, uma vida estável e tranquila, já o sr. Hyde é cruel, com uma aparência grotesca e com a raiva em ponto de ebulição. Mas o que o dr. Utterson não entende é porque seu amigo Jekyll refez seu testamento deixando tudo para esse asqueroso do sr. Hyde, em caso de morte ou de seu sumiço. E tudo se complica quando Hyde é acusado de cometer um homicídio e de pisotear uma criança. Jekyll estaria sofrendo de uma chantagem por esse homem cruel? Isso o advogado está empenhado em descobrir. 


PROJETO LITERÁRIO: PENNY DREADFUL:  

Foto: Cena do Seriado.


   No seriado Penny Dreadful só aparece o Dr. Jekyll na terceira temporada, e isso porque ele vai à Londres para encontrar um velho amigo da  universidade: Victor Frankenstein. E para exercer sua profissão numa espécie de "sanatório". Só que o "problema" de seu amigo, torna-se seu quando ambos buscam encontrar um jeito de tornar as pessoas insanas e más, em pessoas normais e relativamente boas. Sem contar que na série Jekyll é mestiço e sofre muito com o preconceito; isso não ocorre no livro de Stevenson. 

Foto: Cena do Seriado.


   O problema da série foi que não tivemos tempo em conhecer e entender essa pessoa dupla, que é o Dr. Jekyll. Não conhecemos o Hyde, no final há uma referência ao título, mas não a transformação marcante de um ser bondoso para uma pessoa cruel que existe na história. Jekyll sofre alguns acessos de raiva quando discute com o seu amigo Frankenstein, mas em nenhum momento acontece a "transformação" com direito a poção e tudo. Talvez isso fosse abordado em uma quarta temporada, mas com o cancelamento da série, nunca saberemos disso. 


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Contos de Horror do Século XIX

Foto do Livro.


Escolhidos por: Alberto Manguel.
Vários Tradutores.
Editora: Companhia das Letras.
Ano: 2005.

   Não é de hoje que esse é um dos livros mais falados quando o assunto é contos de horror. Dizem que só as melhores histórias estão contidas nesse volume, e foi uma pena eu ter achado só bom. Alguns contos eu realmente gostei muito, mas outros eu achei bom, razoável até. Ou talvez essa sensação negativa que eu tive com esse livro seja porque criei expectativas demais em cima dele. Achei que seria maravilhoso, e não foi bem assim. Mas ainda bem que gostamos de coisas diferentes, e o que eu possivelmente achei ruim, vocês podem achar maravilhoso. Vou contar um pouco sobre alguns contos que eu realmente gostei e achei que valeu a pena a leitura.

   "A mão do Macaco" de W.W. Jacobs é um clássico e eu já havia lido várias vezes e várias adaptações desse conto. É aterrador fazer um pedido e tê-lo satisfeito. E convenhamos, às vezes é melhor não ter tudo. 

   "A Família do Vurdalak: Fragmento inédito das Memórias de um desconhecido - Aleksei Tolstói. Poucas vezes um conto sobre mortos vivos foi tão obscuro e medonho. Gostei muito do jeito que o autor abordou esse tema do "vampirismo". E principalmente gostei daquela sensação de cidadezinha isolada.

   "O Cone" de H. G. Wells foi sensacional. A vingança pode vir num simples surto de raiva incontida. Principalmente se você se sentir traído por sua mulher e seu amigo.

   "Os lábios" de Henry St. Clair Whitehead. Quando você é um homem cruel e que gosta de torturar escravos de todas as formas, sente-se traído quando uma "maldição" parece tomar conta do seu corpo.

  "O chinago" de Jack London. Quando se tem inocentes sendo punidos por um crime que não cometeram, qualquer um deles pode perder a cabeça.

   "Melück Maria Blainville, a profetisa particular da Arábia" - de Achim Vin Arnim. Esse foi um achado! Muito bom, com uma história redondinha. Quando uma mulher misteriosa decide "roer" seu coração é melhor estar preparado.

   "Bárbara, da Casa de Grebe" - Thomas Hardy. Quando uma jovem ingênua, mas de uma família abastada, decide se casar só pela beleza angelical de um homem; problemas surgiram o tempo todo. 

   Esses foram alguns dos que mais gostei, é claro que tem um conto do Poe e uma novela de Henry James que eu gosto muito, mas que são muito falados e eu não preciso me prolongar por aqui. Leiam, vocês vão gostar de alguns contos. Talvez não os mesmos que eu gostei, mas de outros. 


sexta-feira, 26 de maio de 2017

A Mão Esquerda da Escuridão

Foto do Livro.


Autora: Ursula K. Le Guin.
Tradução: Susana Alexandria.
Editora: Aleph. 
Ano: 2008.

" Genly é um estranho vivendo em outro mundo. Sua missão é convencer as pessoas desse lugar a se unirem a uma grande comunidade universal. Mas há muitas diferenças. São outros costumes. Outras lendas. Outras percepções.
   Genly está numa terra única, na qual homens e mulheres existem juntos, dentro de cada indivíduo. Onde qualquer um pode ter filhos, pode ser pai e pode ser mãe.
   No gelado  mundo chamado Inverno, ele terá de esquecer tudo o que sbaia até agora e começar uma jornada de conhecimento, tolerância e descoberta. 
    E desvendar os significados da mão esquerda da escuridão."
    Resumo no Livro.

O que achei do Livro:

   Por eu ter lido e visto muitas resenhas não tão boas assim sobre esse livro, estava com os meus dois pés atrás quando o peguei emprestado na biblioteca. Porque assim se eu não gostasse, não compraria e seria o fim. Mas depois de terminar de ler essa história, eu a coloco ali do ladinho do meu querido "Duna" de Frank Herbert. Não dizendo que são histórias iguais, são gritantemente diferentes. Trazem mundos novos, além de ideias de governos estranhas num primeiro momento enquanto estamos engatinhando nesse mundo do qual nunca ouvimos falar. Terei agora que garimpar os sebos da cidade atrás de uma edição desse livro pra mim. Ursula tem agora um cantinho especial no meu coração. (P.S.: Tem uma notinha do Frank, no livro, sobre essa história da Ursula. Ou seja, amamos simplesmente.)

   Quando lemos sobre um mundo totalmente novo, ficamos completamente perdidos, mas se o personagem principal está quase no mesmo pé que a gente, ficamos confortáveis para acompanhá-lo nessa jornada. Genly Ai é um "alienígena" no mundo de Inverno. Ele está ali numa missão maior, ou seja ele quer que esse mundo se alie com o Ekumen, uma espécie de "ONU", que serve para coordenar e conciliar os planetas, não só no comércio, mas em qualquer dificuldade da qual eles não consigam sair de maneira satisfatória para todos os envolvidos. O problema maior de Genly é convencer esses povos de que essa união será benéfica para todos. O que ele não contava é que o Rei desse lugar era movido pelo "medo" e não estava tão convencido assim de que Genly era o que dizia ser. Seu único aliado nesse mundo é o Primeiro-Ministro Estraven. Alguém que ele sequer confiava totalmente, alguém obscuro.

   A primeira coisa que vocês têm que saber sobre Inverno, é que a população é toda assexuada, ou seja eles não tem um sexo específico, podem ser mulher/homem ou homem/mulher. São todos andróginos, eles só tendem para um sexo específico quando ficam no "cio", então um torna-se masculino e o outro feminino para consumar o ato. Por não terem um sexo específico alguém considerado "homem", durante a história pode sim engravidar. É um lugar onde não há estupros, nem sexo forçado. Eles ficam mais sensíveis e buscam um parceiro somente nesse período. Agora imaginam o horror deles ao saber que Genly não só é um ser vindo do espaço, no caso da Terra, como um "pervertido", já que ele sempre está no "cio", sempre é homem. As pessoas estranham e acabam ficando curiosa com ele. Mas isso não significa que sua missão será fácil. O caminho de Genly torna-se tortuoso e inseguro. E ele terá que confiar em Estraven para salvar não só sua missão, como também sua vida. 

    Esse livro é cheio de diálogos sensacionais, há também partes com lendas sobre o mundo Inverno e é narrado por Genly e também por Estraven. Pode parecer confuso no início, mas depois vocês vão se acostumar. Recomendo.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Talentoso Ripley

Foto do Livro.


Autora: Patricia Highsmith.
Tradução: Alvaro Hattnher.
Editora: Companhia das Letras.
Ano: 2012.

" Tom Ripley sobrevive de trambiques em Nova York. Certo dia, o milionário senhor Greenleaf o procura, supondo que seja um grande amigo de seu filho Dickie. Greenleaf lhe oferece uma viagem à Europa para tentar trazer Dickie de volta aos Estados Unidos -  o rapaz leva uma vida mansa no litoral italiano, longe da família. Na Itália, Ripley desenvolve uma relação doentia e sedutora com Dickie, que passa então a rejeitá-lo. Acuado, Ripley reage de forma imprevisível. O talentoso Ripley (1955) é um clássico da literatura policial. O livro ganhou duas versões para o cinema: com Alain Delon, em 1959, e com Matt Damon, em 1999."
   Resumo no Livro.

O que achei do Livro:

   Meu pai ama esse filme, mas pergunta se já o assisti? Não, não mesmo. Isso porque eu nunca gostei da capa do dvd, mas algum dia assistirei e lhes contarei se meu preconceito com a imagem do dvd foi tolo o suficiente. Eu sempre fiquei curiosa sobre a história, e então peguei esse livro emprestado da Biblioteca Pública aqui de São Paulo.  E confesso que gostei bastante, não sei se vou ler as continuações, mas se eu decidir ler, aposte em resenhas por aqui. 

   Tom Ripley é um vigarista, ele gosta de conseguir as coisas de maneira fácil, mesmo que precise quebrar as leis pra isso. Ele só não conta com a paranoia que ele desenvolveu por causa desses "pequenos" crimes. Ao descobrir que está sendo seguido por um senhor, Ripley logo imagina que ele está ali para prendê-lo, e ele nem tivera tempo de descontar os cheques roubados! Mas o que acontece é bem mais surpreendente, o milionário Greenleaf, pensa que Tom é um amigo próximo de seu único filho e herdeiro, e ele quer que o jovem rapaz vá para a Itália e convença Dickie, seu garoto, a voltar para casa. Já que a mãe dele estava doente, e Dickie nunca ia conseguir coisa alguma pintando quadros sem graça tão longe. Ele tinha um negócio para aprender. Tom logo percebe sua sorte grande quando o homem lhe oferece uma viagem e tudo pago para a Europa, com a única missão de recuperar o tolo de seu filho. 

   Se tem uma coisa que Tom é bom, é em enrolar e confundir as pessoas. Ele sempre consegue tirar proveito de qualquer coisa que lhe favoreça. Principalmente se houver dinheiro fácil envolvido. Ripley vai em busca de Dickie, ele só não contava com a rejeição do mesmo, nem em ter que conviver com Marge, uma amiga bem próxima do rapaz. E ele ainda ficou abismado em como eles eram ligeiramente parecidos. Sabendo que perderia sua chance de se aproximar de Dickie, Tom resolve contar a verdade pra ele sobre o porque dele estar ali na Itália. E o impressionante é que ele consegue convencê-lo e ser convidado para morar com ele na sua casa, assim eles poderiam se aproveitar do dinheiro do velho. Tom só não contava com Marge o tempo todo por perto, nem que ele teria verdadeira aversão por essa mulher. Afinal, quem ela achava que era para sufocar Dickie dessa forma? Dickie que seria bem melhor sem ela! Afinal ele estava ali.

   Tom e Dickie tem um relacionamento estranho, não dá parte de Dickie, mas da parte de Tom, Ripley começa a ter um forte sentimento de posse sobre o recente amigo. E ele fará de tudo para tê-lo só para si e talvez Dickie divida seu dinheiro com ele. 

   Recomendo muito esse livro, principalmente para vocês descobrirem a podridão que é a alma de Tom Ripley. 

domingo, 30 de abril de 2017

O Retrato de Dorian Gray (Edição Anotada e Sem Censura) + Dica de Filme + Projeto Literário: Penny Dreadful - Parte IV

Fotos do Livro.


Autor: Oscar Wilde.
Organizador: Nicholas Frankel. 
Tradução: Jorio Dauster. 
Editora: Globo / Biblioteca Azul.
Ano: 2013.

" O retrato de Dorian Gray (1891) é um anúncio do século XX e da modernidade, pelo qual Oscar Wilde pagou um preço caro - além de sofrer censura, viu sua obra-prima usada como "prova" contra si no processo de "flagrante indecência" que o levou a prisão.
    Nesta edição, Nicholas Frankel, organizador e autor das introduções e das notas, reconstitui o romance a partir do original datilografado - ou seja, eliminando todas as modificações que o livro sofreu até que chegasse ao público, e constrói pela primeira vez a versão que Wilde gostaria que estivéssemos lendo hoje.
   Essa espécie de mito de Fausto tornou-se um clássico da literatura mundial pelo refinamento da escrita e pela universalidade do tema. Com uma destreza de estilo ímpar, Wilde cria frases lapidares com um humor ácido e um olhar astuto, criticando ferrenhamente a hipocrisia de uma sociedade que passava por transformações muito rápidas."
   Resumo no Livro.



O que achei do Livro: 

   A primeira vez que eu li "O Retrato de Dorian Gray" foi numa edição da Abril, se não me engano, que a capa era toda verde e com um imenso pavão desenhado. Lembro-me que fiquei curiosa por causa do pavão e acabei levando pra casa para ler sobre o que diabos era aquele livro. Não me arrependi de ter lido e confesso que na época gostei mais dele do que do "Drácula de Bram Stoker". Ainda gosto dessa história, e achei bem diferente do que eu me lembrava de ter lido naquela época.
  
   Dorian Gray é descrito no livro como alguém muito lindo, ele era dotado de uma beleza e um poder de encantamento incomparável. É claro que também era muito ingênuo e deixava-se levar pelas ideias dos outros facilmente, principalmente de um homem com um humor peculiar que ele conhece mais para frente. Acontece que Dorian estava servindo de modelo para Basil, um pintor muito talentoso e que sofria de um amor platônico por ele. Quando Dorian voltou para a casa / ateliê de Basil para terminar a pintura do quadro, ele conhece Henry, um amigo do pintor. Henry que ficou encantado pela beleza do jovem rapaz, decide ser uma espécie de "tutor" para ele. Ou seja ele lhe ensinaria tudo o que sabia sobre a vida de verdade, algo com muitos excessos.  Basil alerta Dorian sobre as ideias exageradas de seu amigo, e lhe diz, com um toque de ciúmes, que era melhor ele se manter longe daquela má influência. Só que o nosso rapaz dourado não lhe dá ouvidos. E ao ver a sua imagem imortalizada naquela juventude e frescor, que permaneceria para sempre bela, fica horrorizado com a velhice que de uma forma ou de outra o encontrará. Nesse momento, enquanto encara firmemente o retrato ele deseja que sua alma envelheça na pintura enquanto ele permanece belo para sempre. (Vejam bem, ele apenas exprime esse desejo, ele não faz um ritual para o demônio ou qualquer coisa do tipo). 



   Dorian acaba aproximando-se muito de Henry, esquecendo sua amizade com o pintor. Ele começa a seguir os conselhos de Henry sobre praticamente tudo. Até que um dia o nosso jovem rapaz apaixona-se por um atriz de teatro. Um teatro de subúrbio. Quando Dorian conta para o amigo seu desejo de casar-se com Sybil  Vane, uma jovem mulher talentosa que conhecera e por quem se apaixonou perdidamente, Henry decidi estragar a alegria do rapaz com seus comentários desnecessários. Ao levar Basil e Henry ao teatro para ver a atuação da bela Sybil, Dorian não imaginava que passaria tamanha vergonha. O talento da jovem acabou quando ela se apaixonou por ele. E sem o talento para atuar de Sybil, o "amor" que ele sentia acabou. Depois de ouvir os gracejos dos amigos e de ver as pessoas indo embora por causa da péssima atuação de Vane, Dorian acaba com o romance entre o dois de forma cruel, deixando a pobre garota chorando e com o coração partido. Ao voltar para casa percebe que o seu retrato se modificara e que agora seu duplo exibia uma face cruel. 

   Esse é o primeiro de muitos desvios de caráter que Dorian Gray terá, ele arruinará pessoas e corações para sempre, buscará viver nos excessos da vida e sempre compartilhará tudo o que é, ou quase tudo, com seu amigo Henry. 

   O que fica bem claro nessa obra, ao menos pra mim, é como Henry sempre busca desvirtuar Dorian, ele faz com que o jovem tome atitudes que ele mesmo, Henry, nunca tomaria. Não sabemos se por ciúmes ou por maldade, mas é como se ele quisesse transformar o inocente rapaz que conheceu no estúdio de Basil num monstro, porque assim Dorian seria só dele. Além de que as piores frases machistas nesse livro são todas de Henry, ele deprecia a mulher o tempo todo, dizendo que o corpo era sempre o mais importante e que elas não serviam para assuntos intelectuais, entre outras coisas. Foi o personagem que eu mais odiei nos últimos meses.



   Nessa versão sem censura fica mais claro as partes homoeróticas do livro, sabemos quando eles tiveram um caso ou um amor platônico, como no caso de Basil. Conhecemos alguns dos amantes de Dorian Gray, tanto homens quanto mulheres. E é claro conhecemos a devassidão da alma desse jovem rapaz. 

   Recomendo muito essa história, principalmente essa versão, porque tem bastante notas introdutórias importantes para nos situar em tempo e espaço quando ela foi escrita e lançada. Além de notas comentadas sobre muitos assuntos ligadas ao texto. E acreditem em mim, são muitas notas. A edição é em capa dura, com uma ótima diagramação e também ilustrada. Vale a pena. 


DICA DE FILME:

Foto: Cena do Filme.


Filme: O Retrato de Dorian Gray.
Direção: Oliver Parker.
Ano: 2011.

   Esse filme é aquele que tem o Ben Barnes, para quem quer saber qual das versões estou citando. Vou indicar esse filme para vocês por causa do personagem Henry, aqui nesse filme, nós conseguimos captar a influência que ele tem sobre Dorian. Acredito que ele foi o melhor no filme. Apesar de gostar muito do Ben Barnes, esse não foi seu melhor trabalho. 


PROJETO LITERÁRIO: PENNY DREADFUL:


Fotos da Série: Penny Dreadful.


   Não tem como não citar a série Penny Dreadful sem lembrar de Dorian Gray. De todos os filmes que eu assisti sobre esse personagem, foi nessa série que eu consegui olhar pro ator e dizer: Sim, esse é perfeito para o papel. Não por ser lindo demais, mas pelo charme inconfundível. Pelo ar de mistério que ele emite, pela atuação formidável dele. É claro que aqui não temos Henry, nem Basil, esse é o passado de Dorian, estamos no presente dele, na sua vida em Londres, onde ele sabe o poder que aquele quadro diabólico exerce na sua vida. Onde ele absorve toda e qualquer vida que puder. Sem contar que a série conseguiu captar aquela sensação de "presente-futuro" nesse personagem, ele é aquele ser sempre a frente de seu tempo. 



   Temos que entender que Dorian Gray é um homem que chama a atenção de qualquer pessoa por onde passar. Ele seduz e destrói quando quiser e da forma que quiser. O jovem e belo Gray gosta de desafios e de mistérios, isso fica bem evidente na série, principalmente quando ele conhece Vanessa Ives numa festa. E quem assistiu essa série sabe que não há mistério maior em Londres do que essa mulher.



   É claro que Dorian Gray mantém seu segredo escondido de todos e flerta descaradamente com quem lhe despertar o interesse. Uma das melhores personagens da série: Angelique, uma personagem trans, apaixona-se pelo jovem rapaz. E eles têm um dos melhores romances da série na minha opinião. É claro que nada acaba bem para quem se envolve com ele. Apenas ele foi feito para durar. 


P.S.: Essa série também capta todo o lado exótico dele também, como sua apreciação de flores exóticas, anéis e festas. 

Irmão Lobo

Fotos do Livro.


Crônicas das Trevas Antigas.

Autora: Michelle Paver.
Tradução: Domingos Demasi.
Editora: Rocco.
Ano: 2007.

" O ferimento no braço arde e, a cada movimento para respirar, as costelas machucadas doem loucamente, mas ele não se atreve a parar.
   A floresta está cheia de olhos.
   Os pés de bétula sussurram à sua passagem. 
   Ele lhes implora que não contem ao urso. Torak está sozinho... ferido, amedrontado e fugindo. Um proscrito como o pai, vem evitando qualquer contato com os clãs. Até este momento. Agora o pai está morto, massacrado por um demônio em forma de urso. De algum modo, ele precisa continuar em frente.
   Seu único aliado é um filhote órfão de lobo.
   Sua única chance de sobrevivência é a habilidade como caçador. Mas a fome não é a única coisa a se temer na floresta.
   Através dos sussurrantes abetos-do-norte surge um mal mais terrível do que qualquer clã é capaz de imaginar, quanto mais derrotar. A Lua de Salgueiro Vermelho aproxima-se rapidamente.
   Em breve Torak - e apenas ele - precisará enfrentar um inimigo do qual não pode escapar nem superar, um inimigo que o espreita tão silenciosamente quanto o simples ato de respirar."
   Resumo no Livro.



O que achei do Livro:

   Bom, primeiro que essa saga do Torak é feita para jovens leitores, então se seu filho quiser ler, ele vai entender boa parte sem problema algum. É uma trama muito bem construída, no começo pode parecer complicado por causa da limitação do conhecimento de Torak sobre ele próprio e sobre suas origens. Torak e seu pai viviam só, não sabemos se eles foram expulsos do seu clã de origem: os Lobos, ou se ele decidiu seguir com o garotinho pelas florestas. O que sabemos realmente é que um enorme urso-demônio feriu mortalmente o pai dele e agora com a sua morte, o jovem rapaz deverá achar um lugar chamado Montanha do Espírito do Mundo e nesse lugar ele encontrará algo ou alguém para ajudá-lo a matar esse "urso". Se ele não conseguir matar esse ser maligno, o mundo e todas as coisas vivas morreram. 

   Quando Torak, machucado e com fome, busca um abrigo para pernoitar, ele encontrar um jovem lobinho que havia acabado de perder toda a sua família. Por algum motivo esse lobo acha que Torak é um semelhante, só que sem rabo e sem andar direito. E como sabemos o que o lobo pensa dessa criança? Simplesmente porque Lobo é uma das vozes durante a trama. E ele é o único capaz de mostrar o caminho verdadeiro para o menino. 

   O que poderia ser simples, tendo somente os dois como companhia, torna-se complicado quando ambos são capturados por um dos clãs da floresta. Agora para viver e honrar as almas de seu pai, Torak e Lobo vão precisar convencer essas pessoas que eles têm uma grande missão para cumprir. 


   O que eu mais gostei nesse livrinho é sobre o ritual da morte das pessoas desses clãs. Eu sei, muito mórbida essa informação, mas no livro todo mundo acredita que cada pessoa possui várias almas e que elas precisam passar por um ritual antes da morte, para que as almas não se percam e acabem vagando pela terra eternamente. E eles não podem citar o nome da pessoa que morreu durante cinco anos. Sem contar que eles não comem animais que são verdadeiros caçadores, achei isso fascinante. 

   Recomendo o livro para todo mundo.