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quarta-feira, 14 de junho de 2017

O Médico e o Monstro: O estranho caso do dr. Jekyll e sr. Hyde + Projeto Literário: Penny Dreadful - Parte V

Foto do Livro.


Autor: Robert Louis Stevenson.
Tradução: Jorio Dauster.
Prefácio: Luiz Alfredo Garcia-Roza.
Introdução e Notas: Robert Mighall.
Editora: Companhia das Letras.
Ano: 2015.

" Poucos clássicos da literatura são tão conhecidos e cultuados como O médico e o monstro. Escrito por Robert Louis Stevenson em 1885, o romance foi um sucesso imediato de público e inseriu o autor, à época com 35 anos, entre os grandes nomes da literatura universal.
   Ao narrar as experiências de um médico que, numa 'noite maldita', toma uma poção fumegante e de coloração avermelhada e descobre 'a dualidade absoluta e primordial do homem', o autor escocês criou uma história de suspense e horror, cujo perigo iminente está no lado obscuro da alma.
   Além de uma introdução de Robert Mighall, ph. D. em ficção gótica e ciência médico-legal vitoriana pela Universidade de Wales, esta edição conta com um prefácio do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, que define a obra como 'um dos mais perfeitos e provavelmente o mais famoso romance de mistério da literatura de língua inglesa'. 
   Resumo no Livro.

O que eu achei do livro:

   Não é a primeira vez que tento ler esse livro, já tentei duas vezes e desisti. Algo nessa história nunca me desceu, mas não sei o que é. Talvez seja porque eu não consegui me importar com nenhum personagem. E mesmo eu tendo amado essa edição da Penguin, e conseguido ler a história toda, continuo não me importando com os personagens. Gosto de outras histórias desse autor, essa história eu não amei. E confesso que até hoje eu não consegui assistir a um filme sobre essa obra e gostar. 

   Primeiro: todos os extras presentes nessa edição são maravilhosos, e foi isso que me ajudou a prosseguir com a leitura. Já que eu resolvi tentar ler essa obra novamente por causa do Projeto Penny Dreadful, achei melhor comprar uma edição que tivesse notas de apoio. E funcionou. Dessa vez a história fluiu melhor pra mim. 

    Acompanhamos nessa história mais o advogado Utterson, do que os verdadeiros protagonistas. E isso faz com que toda essa narrativa estranha envolvendo dois homens diferentes seja mais plausível.  Torna-se verossímil, já que acompanhamos uma pessoa que busca a verdade sobre um caso impossível de ser resolvido se for visto de um ângulo só. O dr. Jekyll tem toda uma reputação inabalável, amigos, uma vida estável e tranquila, já o sr. Hyde é cruel, com uma aparência grotesca e com a raiva em ponto de ebulição. Mas o que o dr. Utterson não entende é porque seu amigo Jekyll refez seu testamento deixando tudo para esse asqueroso do sr. Hyde, em caso de morte ou de seu sumiço. E tudo se complica quando Hyde é acusado de cometer um homicídio e de pisotear uma criança. Jekyll estaria sofrendo de uma chantagem por esse homem cruel? Isso o advogado está empenhado em descobrir. 


PROJETO LITERÁRIO: PENNY DREADFUL:  

Foto: Cena do Seriado.


   No seriado Penny Dreadful só aparece o Dr. Jekyll na terceira temporada, e isso porque ele vai à Londres para encontrar um velho amigo da  universidade: Victor Frankenstein. E para exercer sua profissão numa espécie de "sanatório". Só que o "problema" de seu amigo, torna-se seu quando ambos buscam encontrar um jeito de tornar as pessoas insanas e más, em pessoas normais e relativamente boas. Sem contar que na série Jekyll é mestiço e sofre muito com o preconceito; isso não ocorre no livro de Stevenson. 

Foto: Cena do Seriado.


   O problema da série foi que não tivemos tempo em conhecer e entender essa pessoa dupla, que é o Dr. Jekyll. Não conhecemos o Hyde, no final há uma referência ao título, mas não a transformação marcante de um ser bondoso para uma pessoa cruel que existe na história. Jekyll sofre alguns acessos de raiva quando discute com o seu amigo Frankenstein, mas em nenhum momento acontece a "transformação" com direito a poção e tudo. Talvez isso fosse abordado em uma quarta temporada, mas com o cancelamento da série, nunca saberemos disso. 


domingo, 30 de abril de 2017

O Retrato de Dorian Gray (Edição Anotada e Sem Censura) + Dica de Filme + Projeto Literário: Penny Dreadful - Parte IV

Fotos do Livro.


Autor: Oscar Wilde.
Organizador: Nicholas Frankel. 
Tradução: Jorio Dauster. 
Editora: Globo / Biblioteca Azul.
Ano: 2013.

" O retrato de Dorian Gray (1891) é um anúncio do século XX e da modernidade, pelo qual Oscar Wilde pagou um preço caro - além de sofrer censura, viu sua obra-prima usada como "prova" contra si no processo de "flagrante indecência" que o levou a prisão.
    Nesta edição, Nicholas Frankel, organizador e autor das introduções e das notas, reconstitui o romance a partir do original datilografado - ou seja, eliminando todas as modificações que o livro sofreu até que chegasse ao público, e constrói pela primeira vez a versão que Wilde gostaria que estivéssemos lendo hoje.
   Essa espécie de mito de Fausto tornou-se um clássico da literatura mundial pelo refinamento da escrita e pela universalidade do tema. Com uma destreza de estilo ímpar, Wilde cria frases lapidares com um humor ácido e um olhar astuto, criticando ferrenhamente a hipocrisia de uma sociedade que passava por transformações muito rápidas."
   Resumo no Livro.



O que achei do Livro: 

   A primeira vez que eu li "O Retrato de Dorian Gray" foi numa edição da Abril, se não me engano, que a capa era toda verde e com um imenso pavão desenhado. Lembro-me que fiquei curiosa por causa do pavão e acabei levando pra casa para ler sobre o que diabos era aquele livro. Não me arrependi de ter lido e confesso que na época gostei mais dele do que do "Drácula de Bram Stoker". Ainda gosto dessa história, e achei bem diferente do que eu me lembrava de ter lido naquela época.
  
   Dorian Gray é descrito no livro como alguém muito lindo, ele era dotado de uma beleza e um poder de encantamento incomparável. É claro que também era muito ingênuo e deixava-se levar pelas ideias dos outros facilmente, principalmente de um homem com um humor peculiar que ele conhece mais para frente. Acontece que Dorian estava servindo de modelo para Basil, um pintor muito talentoso e que sofria de um amor platônico por ele. Quando Dorian voltou para a casa / ateliê de Basil para terminar a pintura do quadro, ele conhece Henry, um amigo do pintor. Henry que ficou encantado pela beleza do jovem rapaz, decide ser uma espécie de "tutor" para ele. Ou seja ele lhe ensinaria tudo o que sabia sobre a vida de verdade, algo com muitos excessos.  Basil alerta Dorian sobre as ideias exageradas de seu amigo, e lhe diz, com um toque de ciúmes, que era melhor ele se manter longe daquela má influência. Só que o nosso rapaz dourado não lhe dá ouvidos. E ao ver a sua imagem imortalizada naquela juventude e frescor, que permaneceria para sempre bela, fica horrorizado com a velhice que de uma forma ou de outra o encontrará. Nesse momento, enquanto encara firmemente o retrato ele deseja que sua alma envelheça na pintura enquanto ele permanece belo para sempre. (Vejam bem, ele apenas exprime esse desejo, ele não faz um ritual para o demônio ou qualquer coisa do tipo). 



   Dorian acaba aproximando-se muito de Henry, esquecendo sua amizade com o pintor. Ele começa a seguir os conselhos de Henry sobre praticamente tudo. Até que um dia o nosso jovem rapaz apaixona-se por um atriz de teatro. Um teatro de subúrbio. Quando Dorian conta para o amigo seu desejo de casar-se com Sybil  Vane, uma jovem mulher talentosa que conhecera e por quem se apaixonou perdidamente, Henry decidi estragar a alegria do rapaz com seus comentários desnecessários. Ao levar Basil e Henry ao teatro para ver a atuação da bela Sybil, Dorian não imaginava que passaria tamanha vergonha. O talento da jovem acabou quando ela se apaixonou por ele. E sem o talento para atuar de Sybil, o "amor" que ele sentia acabou. Depois de ouvir os gracejos dos amigos e de ver as pessoas indo embora por causa da péssima atuação de Vane, Dorian acaba com o romance entre o dois de forma cruel, deixando a pobre garota chorando e com o coração partido. Ao voltar para casa percebe que o seu retrato se modificara e que agora seu duplo exibia uma face cruel. 

   Esse é o primeiro de muitos desvios de caráter que Dorian Gray terá, ele arruinará pessoas e corações para sempre, buscará viver nos excessos da vida e sempre compartilhará tudo o que é, ou quase tudo, com seu amigo Henry. 

   O que fica bem claro nessa obra, ao menos pra mim, é como Henry sempre busca desvirtuar Dorian, ele faz com que o jovem tome atitudes que ele mesmo, Henry, nunca tomaria. Não sabemos se por ciúmes ou por maldade, mas é como se ele quisesse transformar o inocente rapaz que conheceu no estúdio de Basil num monstro, porque assim Dorian seria só dele. Além de que as piores frases machistas nesse livro são todas de Henry, ele deprecia a mulher o tempo todo, dizendo que o corpo era sempre o mais importante e que elas não serviam para assuntos intelectuais, entre outras coisas. Foi o personagem que eu mais odiei nos últimos meses.



   Nessa versão sem censura fica mais claro as partes homoeróticas do livro, sabemos quando eles tiveram um caso ou um amor platônico, como no caso de Basil. Conhecemos alguns dos amantes de Dorian Gray, tanto homens quanto mulheres. E é claro conhecemos a devassidão da alma desse jovem rapaz. 

   Recomendo muito essa história, principalmente essa versão, porque tem bastante notas introdutórias importantes para nos situar em tempo e espaço quando ela foi escrita e lançada. Além de notas comentadas sobre muitos assuntos ligadas ao texto. E acreditem em mim, são muitas notas. A edição é em capa dura, com uma ótima diagramação e também ilustrada. Vale a pena. 


DICA DE FILME:

Foto: Cena do Filme.


Filme: O Retrato de Dorian Gray.
Direção: Oliver Parker.
Ano: 2011.

   Esse filme é aquele que tem o Ben Barnes, para quem quer saber qual das versões estou citando. Vou indicar esse filme para vocês por causa do personagem Henry, aqui nesse filme, nós conseguimos captar a influência que ele tem sobre Dorian. Acredito que ele foi o melhor no filme. Apesar de gostar muito do Ben Barnes, esse não foi seu melhor trabalho. 


PROJETO LITERÁRIO: PENNY DREADFUL:


Fotos da Série: Penny Dreadful.


   Não tem como não citar a série Penny Dreadful sem lembrar de Dorian Gray. De todos os filmes que eu assisti sobre esse personagem, foi nessa série que eu consegui olhar pro ator e dizer: Sim, esse é perfeito para o papel. Não por ser lindo demais, mas pelo charme inconfundível. Pelo ar de mistério que ele emite, pela atuação formidável dele. É claro que aqui não temos Henry, nem Basil, esse é o passado de Dorian, estamos no presente dele, na sua vida em Londres, onde ele sabe o poder que aquele quadro diabólico exerce na sua vida. Onde ele absorve toda e qualquer vida que puder. Sem contar que a série conseguiu captar aquela sensação de "presente-futuro" nesse personagem, ele é aquele ser sempre a frente de seu tempo. 



   Temos que entender que Dorian Gray é um homem que chama a atenção de qualquer pessoa por onde passar. Ele seduz e destrói quando quiser e da forma que quiser. O jovem e belo Gray gosta de desafios e de mistérios, isso fica bem evidente na série, principalmente quando ele conhece Vanessa Ives numa festa. E quem assistiu essa série sabe que não há mistério maior em Londres do que essa mulher.



   É claro que Dorian Gray mantém seu segredo escondido de todos e flerta descaradamente com quem lhe despertar o interesse. Uma das melhores personagens da série: Angelique, uma personagem trans, apaixona-se pelo jovem rapaz. E eles têm um dos melhores romances da série na minha opinião. É claro que nada acaba bem para quem se envolve com ele. Apenas ele foi feito para durar. 


P.S.: Essa série também capta todo o lado exótico dele também, como sua apreciação de flores exóticas, anéis e festas. 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Drácula (Edição Comentada) + Dicas de Filmes + Projeto Literário: Penny Dreadful - Parte III

Clássicos Zahar.

Fotos do Livro.


Autor: Bram Stoker.
Tradução, apresentação e notas: Alexandre Barbosa de Souza.
Editora: Zahar.
Ano: 2015.

" Vampiro mais famoso da literatura, marco fundador de um gênero, inspiração para um universo, infinito de artistas das mais diversas áreas. Drácula é o maior ícone do imaginário do terror. Há mais de um século, leitores são seduzidos pelo pavoroso combate entre o Bem e o Mal travado neste clássico, obra máxima de Bram Stoker. De um lado o conde Drácula e sua legião crescente de mortos-vivos. De outro, um grupo unido e decidido a caçá-lo: Jonathan e Mina Harker, o médico holandês Van Helsing e seus amigos. Romance epistolar ágil e bem-construído, Drácula é uma dramática corrida contra o tempo - e você é a próxima vítima. 

   Essa edição traz o texto integral de Bram Stoker, mais de 200 notas, apresentação e cronologia de vida e obra do autor - tudo isso no padrão de qualidade dos Clássicos Zahar."
   Resumo no Livro.



O que achei do Livro:

   Eu me surpreendi e muito. A primeira vez que li Drácula eu estava no Ensino Fundamental e achei terrivelmente massante, longo demais e estranho. E essa primeira impressão me acompanhou durante anos, eu gostava da ideia "Drácula", mas não da obra. E depois de adulta, nunca quis reler para ver se agora eu gostava. E aí eu assisti o seriado "Penny Dreadful" e por causa da literatura de horror contida na trama, eu quis fazer um projeto para o blog, e para o projeto dar certo, Drácula precisava estar na minha lista. Pesquisei várias edições e a que mais chamou a minha atenção, e confesso que a capa me lembrou muito uma cena do filme com o Bela Lugosi, foi a da editora Zahar. Era a mais cara? Era. Mas ela tinha o que as outras não tinham: notas. As abençoadas notas de rodapé. Além do acabamento de luxo. Ou seja, ou eu gostava, ou esquecia de vez essa história. E agora, aos 25 anos de idade, posso falar que eu li aquelas inúmeras cartas que compõe a trama e amei a história. E amei ainda mais o filme baseado nessa obra dirigido por Francis Coppola. Finalmente entendi a ameaça que era Drácula. 



   É claro que ainda havia as inúmeras cartas, entradas de diários, recortes, memorando e coisas do tipo, mas dessa vez eu estava preparada e acredito que a tradução desse livro ajudou muito. Cada personagem tem a sua vez de falar sobre os infortúnios que os estavam acometendo desde que Jonathan Harker foi tratar de negócios com o Conde Drácula. Um mal envelhecido e obscuro estava solto Londres. E como espantar uma ameaça há tantas vidas se eles sequer sabem do que estão tentando se proteger? Jonathan estava preso em um castelo em ruínas, com três belas mulheres famintas e imortais, seu único consolo era escrever em seu diário todo o relato de sua viagem e seu encontro com o conde, para que se não pudesse se salvar, Mina, sua noiva, saberia que ele a amou até o último dia de vida.



   Claro que também temos o Conde Drácula, alguém isolado, que queria mudar de território, conquistar novos lugares, um ser tão antigo que não tinha mais limites morais. Temos Mina e Lucy, duas grandes amigas, que vivem enviando cartas uma à outra. Mina esperando o retorno do adorado noivo e Lucy indecisa entre três amores. Temos o Dr. Seward, perdido de amor por Lucy, e obcecado com o seu paciente mais psicótico chamado Renfield, o comedor de moscas e aranhas. É claro que também temos Van Helsing, o comandante de todos ali contra o mau que o conde representava para a vida, não só deles, mas de todos. E mais outros personagens que aparecem em papéis secundários. 

   O livro é tão bem embasado, que se não contassem que é ficcional, poderíamos achar que realmente ocorreu tudo aquilo. Nada acontece de um dia para a noite, há o tempo certo para tudo. Mas é claro que também há algumas coisas que me incomodaram bastante, como: quando qualquer personagem elogia Mina, ele acrescenta que ela tem o cérebro de um homem, afinal como poderia haver uma mulher inteligente? Ou quando Mina tem as melhores ideias para capturar o Conde, e assim que eles embarcam nesse plano, logo a jogam de escanteio dizendo que os homens fortes a protegeriam. Era tudo horrível demais para uma mulher vivenciar e por isso a estavam poupando. Ou ainda o melhor, o erotismo disfarçado de doçura de Lucy, a bela mulher que está morrendo, mas continua elogiando seus salvadores. Temos mulheres fortes e marcantes nesse livro? Temos, mas a maior parte do tempo são jogadas de escanteio. Sei que é uma ideia da época em que o livro foi escrito, mas isso não justifica que irei gostar de tudo o que eu ler. O conjunto da obra é maravilhoso e eu recomendo a leitura. Mas nunca aceite tudo o que joguem na sua frente sem pensar por si próprio.

DICAS DE FILMES E SERIADOS:

Filme: Drácula de Bram Stoker.
Direção: Francis Ford Coppola.
Ano: 1992.

Foto: Cena do Filme: Drácula de Bram Stoker.


   Considero esse a adaptação mais fiel a obra. É um filme maravilhoso e cheio de bons atores. Não tem como não pensar em filmes sobre o Conde Drácula e não lembrar de Gary Oldman, no papel do conde. É claro que florearam boa parte com um romance imortal, mas adoramos mesmo assim. Principalmente que a história de amor que o filme conta sobre a Mina e Drácula ficou muito crível. (Valendo lembrar aqui, que não há esse tipo de romance no livro). Recomendo muito. 

Filme: Drácula: A História Nunca Contada.
Direção: Gary Shore.
Ano: 2014.

Foto: Cena do Filme: Drácula - A História Nunca Contada.


   Eu gostei bastante desse filme, mas não amei não. Ele vai nos mostrar como o Príncipe Vlad se tornou o Conde Drácula. Bem legal, recomendo.

Seriado: Drácula.
Criado por: Cole Haddon, Tony Krantz.
Ano: 2013.

Foto: Cena do Seriado: Drácula.


   Eu gostei muito desse seriado. Achei muito legal a ideia do Conde Drácula em Londres com o objetivo de se vingar de quem o transformou no que ele era agora. E é claro que é lá que ele reencontra o grande amor de sua vida: Mina. 

PROJETO LITERÁRIO: PENNY DREADFUL:

Fotos: Seriado: Penny Dreadful.


   Quem assim como eu amou o seriado, que acabou precocemente na terceira e última temporada, pode se consolar lendo os livros nos quais ele foi baseado. Dessa vez o nosso livro resenhado foi Drácula e está na hora de o relacionarmos ao seriado. 

   De início já sabemos que Mina Harker corre perigo por estar ao lado do "mestre". Vanessa Ives e Sir Malcolm, amiga e pai de Mina respectivamente, estão desesperado para encontrá-la e salvá-la, mesmo que morressem durante esse processo. Algo obscuro está em Londres e eles precisam descobrir o que é e onde está esse mestre. Preste atenção que desde o início não sabemos quem é esse mestre, é tudo muito subliminar. E não há uma Lucy, Lucy é a Vanessa Ives, amiga e confidente desde a infância de Mina. 


  
   Sir Malcolm e Vanessa estão ligados pela busca e não por laços, não de início. Há ressentimentos demais envolvendo as duas famílias. E claro há a Mina, que misteriosamente está enviando sinais para Vanessa, para que ela a encontre e a livre do mal. Mas é claro que o que eles encontram é criaturas, que se parecem muito, vejam só! Com o vampiro Nosferatu, aquele filme antigo alemão. O mais legal é que essas criaturas não falam e lembram muito aquele filme, é claro que com um toque mais mórbido, e também há as muitas mulheres vampiras que acompanham essas criaturas. Jonathan Harker também é citado algumas vezes, mas nunca aparece na trama. 



   Outra característica que lembra bastante o livro é a presença de animais noturnos, como os lobos. Podemos relacionar o personagem Ethan Chandler com o texano Quincey Morris presente no livro. Temos também o Dr. Van Helsing, apesar dele ser secundário ao Victor Frankenstein. O Conde só irá realmente aparecer na terceira temporada, existiu todo esse relacionamento com a Mina, mas não aquela ideia de "amor imortal" que aparecia em dezenas de filmes anteriores ao seriado. E claro temos quem? O comedor de insetos, Renfield. Todos juntos, numa nova versão dessa obra grandiosa. 


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A Tempestade + Projeto Literário: Penny Dreadful - Parte II

Fotos do Livro.


Autor: William Shakespeare.
Editora: L&PM POCKET.
Ano: 2014.
Tradução: Beatriz Viégas-Faria. 

" Última peça escrita por Shakespeare, A tempestade é uma história de vingança, é uma história de amor, é uma história de conspirações oportunistas, e é uma história que contrapõe a figura disforme, selvagem, pesada dos instintos animais que habitam o homem à figura etérea, incorpórea, espiritualizada de altas aspirações humanas, como o desejo de liberdade e a lealdade grata e servil. Uma Ilha é habitada por Próspero, Duque de Milão, mago de amplos poderes, e sua filha Miranda, que para lá foram levados à força, num ato de traição política. Próspero tem a seu serviço Caliban, um escravo em terra, homem adulto e disforme, e Ariel, o espírito servil e assexuado que pode se metamorfosear em ar, água ou fogo. Os poderes eruditos e mágicos de Próspero e Ariel combinam-se e, depois de criar um naufrágio, Próspero coloca na Ilha seus desafetos (no intuito de levá-los à insanidade mental) e um príncipe, noivo em potencial para a filha. Se o amor acontece entre os dois jovens, se a vingança de Próspero é bem-sucedida, se Caliban modifica-se quando conhece os poderes inebriantes do vinho numa cena cômica com outros dois bêbados, tudo isso Shakespeare nos revela no enredo desta que por muitos é considerada sua obra-prima - uma história de dor e reconciliação."
   Resumo no livro.



O que achei do Livro: 

   A história que eu mais gosto de Shakespeare ainda é "Sonhos de uma noite de verão", primeiramente preciso dizer isso. "A Tempestade" foi a que eu menos gostei, apesar de ter algumas cenas incríveis, como quando Caliban aparece pela primeira vez já esbravejando sua imensa raiva e desprezo por Próspero.  Ou quando Ariel, acredito que o "espírito" mais bondoso de toda essa trama, busca pela sua liberdade. E o sentimento mais humano quando nos descobrimos traídos e esmagados, que é a vingança. Vingança... um sentimento que destrói até o mais bondoso de todos os seres. É claro que temos aqui também aquele casal que se apaixona num passe de mágica. Traições políticas permeiam boa parte das páginas desse livrinho, além de isolamento, diversas magias, dor, mágoas e a arte de perdoar. 

   É uma boa história, só não foi minha favorita. Mas recomendo muito a leitura.


PROJETO LITERÁRIO: PENNY DREADFUL:

Fotos do Seriado: Penny Dreadful.


   Quem é Caliban no livro?

   Caliban é o filho de uma bruxa chamada Sicorax, uma bruxa muito poderosa e que fizera muitos malefícios na vida de dezenas de pessoas e seres. Expulsa da Argélia, acabou chegando na Ilha, grávida, e desse ser nasceu Caliban, uma criatura disforme. Caliban, na maior parte da história é sempre maltratado por Próspero, principalmente por causa de sua deformidade, é bastante comparado com peixes, principalmente o cheiro dele. E também é acusado na trama de tentar violentar Miranda, a filha de Próspero. Vive resmungando e jurando vingança, dizendo que ele era o verdadeiro Senhor da Ilha, mas quando trama uma cilada para Próspero, decide escalar outro homem para ser seu mestre. Sem contar que bêbado é um ser meio bobo. 



   Quem é Caliban no Seriado?

   Caliban no Seriado é o primogênito de Victor Frankenstein, a criatura sem nome, nasceu em dor e foi abandonado por ser imperfeito. Autodidata, aprendeu a amar poesia e a ansiar por amor. Mas é menosprezado por sua aparência, sendo espancado a troco de nada. Ao procurar seu criador, ele acaba conhecendo um senhor que trabalha em um teatro, um homem que não temeu encarar seu rosto e foi o primeiro a demonstrar bondade para com ele, oferecendo um emprego como "rato de teatro", um faz tudo. Ao perceber que o homem desfigurado a sua frente não tinha um nome, o chama de Caliban. E é por esse nome que a Criatura fica conhecida nos primeiros capítulos do seriado. 


  Acho que o nome se encaixou perfeitamente no personagem. E trouxe mais uma dose clássica para o seriado. 


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Frankenstein + Filmes + Projeto Literário: Penny Dreadful

Fotos do Livro.


Medo Clássico. 

Autora: Mary Shelley.
Editora: Darkside Books.
Ano: 2017.

"   Duzentos anos após sua criação, Frankenstein continua vivo – e mais atual do que nunca. Conheça a história original, com toda a sensibilidade e o terror que o cinema nunca conseguiu mostrar. 
   Um cientista obcecado que desafia as leis da natureza e põe em risco a vida daqueles que ama. Uma criatura quase humana que deseja ser um de nós, mas só encontra medo, ódio e morte pelo caminho.      A obra-prima de Mary Shelley que deu origem ao terror moderno está de volta, numa edição monstruosa como só a DarkSide Books poderia lançar: capa dura, tradução primorosa, ilustrações inéditas do artista brasileiro Pedro Franz, além de quatro contos extras que versam sobre o mesmo tema do romance. Impresso em duas cores: preto e sangue. 
   Um livro que todos deveriam ler e reler ao longo da vida. A edição definitiva para se guardar para sempre."
Resumo do livro em sites de vendas.




O que achei do Livro:

   Não tem como falar em Frankenstein e não vir imediatamente a nossa mente a imagem de uma criatura desfigurada e amargurada, um ser que não teve uma dose de amor e que ousou confiar na humanidade. E logo depois vem a imagem do médico obcecado e cheio de certezas, que ousou superar a morte e a dar vida para um ser feito de partes mortas. Esse é um caso onde a Obra superou sua Criadora. Primeiro lembramos do Criador e a sua Criatura, depois da Autora que deu vida à essa obra. 

   Essa edição está maravilhosa, pois além de trazer a última versão da história escrita por Mary Shelley, traz também mais quatro contos escritos por ela, nota introdutória, mini biografias e ilustrações sensacionais. O livro é capa dura, com fitinha de cetim para marcar as páginas.  



   Quem é Frankenstein: "o médico ou o monstro"?

   Antes que vocês me digam que essa pergunta não tem cabimento, vou ressaltar que isso não é verdade. Não sei se é um erro por causa dos filmes ou informações trocadas, mas tendemos a achar que "Frankenstein" é o nome do monstro-criatura, e isso não é a verdade. O médico chama-se Victor Frankenstein, quando ele consegue fazer com que a vida supere a morte e cria um ser humano feito de partes de corpos mortos, ele fica horrorizado com o que criou e "aborta" a sua criação, não dando nome algum a nova espécie. 



   Quem é o mais humano nessa história?

   Começamos a narrativa com um punhado de cartas de R. Walton para sua irmã Margaret, contando seus desafios e suas tristezas para conseguir chegar ao Polo Norte. Seus tripulantes estão desanimados e o frio é cortante e intenso. E é assim que ele acaba encontrando um homem febril e delirante, chamado Victor Frankenstein. Que ao descobrir a loucura que rodeia os pensamentos de Walton, decide relatar toda a sua transgressão para ele, como uma forma de fazê-lo desistir da estúpida ideia de perder todas aquelas vidas de bons homens por nada. Por uma ideia, um capricho. 

   Victor conta sua história desde a infância, os tempos felizes com sua mãe, seu pai, seus irmãos e com sua adorada Elizabeth, uma órfã adotada pela sua família quando não passava de uma garotinha. Como foi uma criança feliz e como com o tempo tornou-se dedicado demais com certos estudos. Aos dezessete anos ingressou na Universidade de Ingolstadt, depois de perder sua mãe para a escarlatina. Esse episódio fixa-se na sua mente, e ele mergulha de vez nos estudos para que de alguma forma ele vença a morte. 



   De aluno cheio de ideias antiquadas, passa a ser um dos melhores cérebros da Universidade, o mais dedicado e o mais inteligente. Mas a ideia de vencer a morte está cada vez mais enraizada na sua cabeça, e ele decide roubar corpos para que assim consiga criar a criatura perfeita. Um ser que nunca morreria. Um filho. Só que ao olhar para a criatura desfigurada com mais de dois metros que ele mesmo criara, Victor fica horrorizado, e abandona-o sozinho, sem ajudá-lo a entender quem e o que era. Assim começa o ódio entre os dois.

   A criatura sentia-se abandonada, um aborto mal sucedido, não conseguia nem encarar-se em um espelho d´água. Não sabia falar, só emitia sons, não sabia o que era e para onde ir, tinha medo dos homens, principalmente por se mostrarem incapazes de entendê-lo e amá-lo. Por mais que seja um homem feito, a criatura é como se fosse uma criança. Precisava de ajuda para tudo, não sabe o que é bem ou mal, não tem um limite. Sabe que ama, mas não entende esse sentimento muito bem. Amor e ódio nunca estiveram tão tênues em alguém, como nele.



   A sensação que temos quando lemos esse livro é de duplicidade, às vezes entendemos e perdoamos Victor, outras vezes o odiamos e o condenamos por rejeitar e abandonar totalmente a própria sorte alguém incapaz. Sofremos também com a criatura, e também ficamos horrorizados com a noção de justiça que ele tem. Há momentos e momentos.

Contos Imortais:



   Essa edição, publicada pela Darkside Books, traz quatro contos sobre a imortalidade escrito pela própria Mary. O que achei muito legal, principalmente porque eu não conhecia nenhum desses contos. O meu favorito foi "Transformação", mas eu não vou citá-los aqui em um mini resumos, porque acho que deve ser lido sem saber de nada das histórias.

***

3 Dicas de Filmes baseados nessa Obra:

Filme: Frankenstein de Mary Shelley.
Direção: Kenneth Branagh.
Ano: 1994.

Foto: Cena do Filme.


   Eu preferi assisti esse filme ao clássico, em preto e branco, por considerar esse mais fiel a obra do que o antigo. Aqui temos tudo, o início com a tripulação em um navio encontrando Victor Frankenstein e depois o médico contando a sua história de amor e perversão. Sem contar com aquele elenco de peso: Robert De Niro, Helena Bonham Carter, Kenneth Branagh, entre outros. 
   Recomendo muito que assistam, é sensacional.


Filme: A Noiva de Frankenstein.
Direção: James Whale.
Ano: 1935.

Foto: Cena do Filme.


   Eu amo muito esse filme, principalmente por causa daquela imagem da companheira para a criatura. É fantástica. Mas lembrando que esse filme não é de forma alguma fiel a obra de Mary Shelley, o filme abusa um pouco de elementos góticos, como um castelo, um doutor que faz miniaturas de pessoas e que obriga o Dr. Frankenstein a criar uma mulher monstro, entre outras coisas. 
   Vale destacar aqui a cena que eu mais gosto que é o início do filme, quando vemos um grupo de amigos: Mary Shelley, Percy Shelley e Lord Byron em uma reunião, durante uma noite chuvosa, para relatar contos de horror. No caso para que Mary faça uma sequência magistral do seu Frankenstein. 


Frankenstein: um clássico sombrio. BBC
Direção: Jed Mercurio.
Ano: 2007.

Foto: Capa do dvd.


   Não é meu filme favorito do gênero, principalmente porque tem algumas coisas que eu não curti muito. Mas a melhor parte é que uma mulher que ao lutar para salvar a vida de seu filho, acaba criando um monstro. Não temos um Victor, temos Victoria Frankenstein, e esse filme aborda como uma mãe é capaz de tudo para salvar seu filho. Tem partes boas, mas também tem cenas desnecessárias. 

Projeto Literário: Penny Dreadful:

Fotos: Cenas do Seriado.


   Penny Dreadful é um seriado que eu amo muito, e quem assistiu sabe o porquê. É um seriado que transborda de literatura e poesias, que reconta grandes clássicos do horror de forma original, muito bem desenvolvida, com exceção daquele final da terceira e última temporada, com uma trama rica e que soube muito bem interligar as vidas de personagens marcantes da literatura clássica de horror. 



   E foi pensando nisso que eu decidi colocar no blog, postagens sobre todos os livros, ou quase todos, em que o seriado foi baseado. E não tinha como começar de outro jeito que não fosse pela história de Frankenstein. E na minha opinião, Penny Dreadful tem a melhor caracterização do Frankenstein e sua criatura. O apartamento onde ele vive, como ele quer superar a morte, como ele é obcecado por isso sendo ainda tão jovem. Sem contar no relacionamento entre os dois: criador e criatura. Percebemos o ódio e a amargura que a criatura tem pelo seu "pai", como ele ama ler, como é inteligente e sensível, como ele tem a esperança de ser amado por alguém. Temos que destacar que a criatura é inteligente e foi autodidata, para que as pessoas parem de relacioná-la a um "zumbi": que não sente, não entende, não sabe conviver com a sociedade. 

   O mais legal de Penny Dreadful foi nos mostrar que "ser humano" é apenas uma questão de princípios. 


   Espero que vocês tenham gostado desse tipo de resenha e que leiam e assistam tudo sobre essa obra, que é tão rica e vital para a literatura clássica de horror.